terça-feira, 20 de maio de 2008

Piauí exporta cerca de três contêineres de mel para os Estados Unidos


Por: Marta Soares

Picos tem exportado, com a Casa Ápis, desde dezembro de 2007 pelo menos um contêiner (18 toneladas) de mel para os Estados Unidos e outros países da União Européia. O embargo ao mel brasileiro em alguns países impedia sua exportação para o bloco do mercado comum europeu.
Segundo Aracéli Gomes, assessora executiva da Casa Ápis, o embargo ao mel foi suprido recentemente, mas as exportações irão ocorrer mediante cumprimento de exigências para rastreabilidade do produto.


A Central de Cooperativas Apícolas do Semi-Árido Brasileiro - CASA APIS, com sede no município de Picos - PI, foi estruturada e constituída no âmbito do PROMEL - Programa de geração de emprego, renda e combate a pobreza no nordeste brasileiro foi fundada em 02 de junho de 2005.


A Casa Ápis atende a cerca de 1.500 famílias dos mini e pequenos apicultores associados às cooperativas envolvidas diretamente com a empresa. Com a finalidade de agregar valor ao produto, no caso, o mel, a Casa Ápis foi fundada com o intuito de trazer propostas inovadoras, transferindo a margem de lucro para os pequenos produtores apícolas.


O preço do mel para exportação ainda passa por discussões: “Em razão de estarmos no momento inicial da safra, os preços atuais ainda estão em discussão mediante o comportamento do mercado, tanto nacional como internacional”, firmou Aracéli. Ela diz ainda que os preços variam de acordo com a classificação de coloração do mel.


O mel processado em Picos advém de todo o Estado do Piauí através de cooperativas afiliadas. “Através deste contrato com cliente dos EUA, que avaliou as amostras como sendo de excelente qualidade, temos que o impacto da comercialização no exterior é muito positiva, e gera segurança para o empreendimento e para os apicultores e conseqüentemente para as suas famílias, que anteriormente, muitas vezes sem técnica, tecnologia, logística e sujeito à vulnerabilidade da demanda dos atravessadores em termos de regularidade e preço”, afirma.


Com os longos períodos de estiagem ou chuvas irregulares, os apicultores sofrem em razão de ofertar o mel em safra à ação dos “atravessadores”, que desvalorizam o mel. Os atravessadores são pessoas físicas ou jurídicas que compram a matéria – prima, o mel, direto do apicultor, por um preço mínino, objetivando o processamento e/ou venda para empresas exportadoras com razoável margem de lucro.


Atualmente Picos exporta cerca de três contêineres de mel para mercados norte americanos e ainda para países europeus. A cooperativa de beneficiamento de mel localizada em Picos, a Casa Ápis, atende à aproximadamente 34 (trinta e quatro) municípios e 302 comunidades.
O mel processado em Picos também vem do Estado do Ceará, onde dez cooperativas enviam o produto para ser beneficiado, envasado e exportado.


O mel passa por processo de inspeção de qualidade e possui o Selo de Inspeção Federal (SIF), Boas Práticas de Fabricação (BPF), Procedimentos Padrões de Higiene Operacional-PPHO's, Análises de Perigos e Pontos Críticos de Controle – APPCC (Programa Alimento Seguro – PAS); Licença Ambiental e mais Certificação Solidária (em andamento).


Segundo Aracéli, o Brasil apresenta características especiais de flora e clima que, aliado à presença da abelha africanizada, lhe conferem um grande potencial para a atividade apícola, uma vez que o semi-árido apresenta resistência às patologias quanto à produção de mel, constata-se a pouca exploração racional do segmento e o consumo nacional per capita ainda é baixo, inclusive no semi-árido, compreende 89g/pessoa, temos o quadro no Brasil de que o consumo significativo do mel se faz por pessoas entre 40 e 60 anos, assim, através do projeto com a SDR, será possível desmistificar pelo menos junto ao público beneficiários o mel como remédio e dar a conhecer suas características naturais de alimento nutricional completo para a saúde e bem estar humano.

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